Pode até parecer o enredo de um filme de aventura dos anos
80, mas ainda existe um povo canibal no mundo. Conhecida como Korowai, a última
tribo antropófaga está situada em Papua-Nova Guiné, na Oceania. Famosos por
seus rituais, eles também ganharam fama mundial por suas casas a mais de 35
metros de altura na copa das árvores.
Localizada por cientistas na década 1970, a tribo teve o
primeiro contato com o homem branco apenas naquela época. Para uma população
que vivia em total isolamento da humanidade, a descoberta gerou tanto terror
que os descobridores foram chamados de “laleo”, que significa
“demônio branco”.
Ao contrário da crença popular que o canibalismo ocorre em
qualquer momento e sem um objetivo próprio, os Korowai’s comem seus pares
apenas quando eles são ‘acusados’ por um doente que esteja à beira da morte.
Quando a pessoa enferma chama alguém pelo nome, os membros Korowai’s acham que
o doente está acusando-a de estar possuída pelo “khakhua” que
significa demônio, em português. A prática faz parte da cultura espiritual da
tribo e segundo uma crença local, eles estão matando a criatura que está
transmitindo a doença e não um ser humano.
Quando se fala em canibalismo, logo se pensa em selvageria e
pessoas sendo comidas vivas, mas não é assim que ocorre. No ritual Korowai, o
“acusado” é primeiramente morto por uma flecha feita com osso de ave
e então, seu corpo é cortado, cozido e servido para a tribo durante o jantar.
As únicas partes que não são devoradas pelos canibais são os órgãos genitais,
cabelos, ossos, dentes e unhas.
Os únicos integrantes que estão a salvo do canibalismo são
as crianças, mas apenas até os 12 anos de idade. Assim como o ritual não
permite que sejam mortas, elas também não podem se servir dos banquetes
antropófagos. Contudo, se uma das crianças for acusada de estar possuída pelo
“khakhua”, ela será mantida presa até a adolescência quando será
morta.
Prática
ilegal
Nos últimos anos, o governo local vem tentando diminuir a
prática no país ao proibi-la em algumas áreas. Uma das leis que tentam coibir o
canibalismo trata o ato como um assassinato premeditado. Porém,
independentemente das ações governamentais, o número de pessoas mortas
anualmente vem caindo desde o início do contato dos Korowai’s com o homem
branco.
Turismo
Ao contrário do que se pode imaginar, centenas de turistas
visitam os Korowai’s anualmente e saem com todas as partes do corpo inteiras!
Desde a descoberta da tribo, algumas agências turísticas a colocaram em seus
roteiros e levam visitantes para conhecê-la. Os passeios rumo aos últimos
canibais do mundo são vendidos na cidade de Port Moresby, capital de Papua-Nova
Guiné. O roteiro custa a partir de R$ 1150 por pessoa e dura 10 horas.
Como o canibalismo ocorre apenas entre os próprios
integrantes, não existem riscos a saúde dos turistas. Com visitas quase
diárias, os Korowai’s criaram uma nova fonte de renda para ajudar na
subsistência da tribo. Contudo, o dinheiro não alterou o estilo de vida simples
e os hábitos deste povo único.
deixe seu comentário